Quanto vale a sua saúde mental?

DISCLAIMER: Esse post trata de objetos como depressão e suicídio. Não recomendo a leitura caso estes assuntos te tragam desconforto. Se cuidem! ❤

Essa semana me deparei com um tweet específico sendo discutido por várias perspectivas diferentes na minha timeline. Metade ressaltava a ideia ali apresentada, outra metade se indignava com os “absurdos”ali sendo ditos. O post em questão é este do print abaixo:

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Eu mesma não soube dizer na hora se concordava ou discordava completamente, mas o que me deixou amarrada neste assunto foi a reação das pessoas quanto a postagem. Li relatos muito fortes de pessoas que perderam completamente a perspectiva de uma vida estável após se verem presas em um emprego estressante e abusivo, comprometendo sua saúde mental em prol de um salário pra sobreviver.

Quando as pessoas pedem demissão de um emprego ruim, muitos se acham no direito de comentar sobre como aquela decisão deve refletir uma falta de maturidade ou irresponsabilidade. E é nesse ponto que eu discordo completamente.

A saúde mental no Brasil carrega um forte estigma, e uma grande maioria de brasileiros prefere ignorá-la, como se os pensamentos magicamente desaparecessem com o tempo.

Se você deixa de trabalhar por uma limitação física, pode ter certeza de que vai encontrar nada menos que o total apoio de seus colegas, talvez até dos seus superiores (que esperam que você melhore logo para que possam te explorar novamente). Agora, faltar à aula/emprego porque a sua depressão simplesmente te impossibilita de sair da cama pode, aos olhos da sociedade, parecer “frescura”. Quando a autora do tweet afirma que “a saúde mental é importante MAS” ela parece implicar que a condição mental é algo cotidiano com o qual você deve ser capaz de “aprender a se virar”, quando, na realidade, não é tão simples assim.

Posso compreender que casos são casos e muitos jovens (em sua maioria sustentados por suas famílias) encarem empregos chatos como o fim do mundo (eu mesma ainda me vejo com dificuldades em aceitar tarefas tediosas, deixando explícito meus privilégios), e talvez esse tweet realmente tenha sido direcionado para eles. Entretanto, se fosse esse o caso, qual problema teria uma pessoa se distanciar de um trabalho que a desagrade se esta pode se dar o privilégio de ficar desempregada a favor de uma vida menos estressante?

O que me preocupa são aqueles que NÃO podem se dar este luxo. E sinto que, assim, falta empatia com aquele que vai ler esse tipo de coisa e achar que o sofrimento psicológico pelo qual ele é sujeitado por conta do seu ganha-pão é algo simples de se contornar. Caso ainda não esteja claro, vidas se perdem quando não se trata a mente.

Distanciando-se um pouco da realidade sociológica do Brasil, pensemos sobre celebridades, pessoas influentes. O Jonghyun do SHINee, um grupo de K-pop, tirou sua própria vida em dezembro do ano passado. Ele, que supostamente teria tudo (fama, dinheiro, aclamação), sofria de depressão. E grande parte disso se agravava porque a empresa na qual ele trabalhava leva seus artistas a exaustão, enquanto se abstém da responsabilidade de tratar a saúde mental deles.

Esse triste caso me faz questionar: até quando vamos subestimar o poder do psicológico e tratar a saúde mental como algo secundário em nossas vidas para valorizar a cultura do “se vira, meu bem”? Eu 100% NÃO estou te incentivando a se demitir do seu emprego chato, e sim encorajando as pessoas a olharem pros outros com mais empatia. Ter a capacidade de entender que nem sempre é questão de preguiça. E ter noção de que, na maioria das vezes, o que os seus conhecidos te mostram não resume nem metade do que cada um passa nessa vida. Uma pessoa pode ter muito dinheiro e lutar todos os dias com seus demônios interiores.

Espero também que, cada vez mais pessoas possam encontrar tratamentos psicológicos acessíveis. As saúdes física e mental se complementam e a vida é muito curta para que se desperdice nosso bem-estar em prol de um salário.

Infelizmente só tenho (pouca) familiaridade com a realidade psicanalista de São Paulo, mas deixo aqui um link bem esclarecedor sobre onde achar atendimento psicológico.

Para os leitores paulistas, a Casa do Povo, no Bom Retiro oferece atendimentos semanais gratuitos – sempre aos sábados –, com duração de uma hora, em quatro horários diferentes.

Gostaria de finalizar essa postagem com uma música que ouço sempre que preciso DAQUELE consolo. Composta pelo inesquecível Jonghyun e cantada pela incrível Lee Hi (sério, procurem mais sobre ela).

 

Respirem fundo e cuidem-se!! (つˆ⌣ˆ)つ⊂(・﹏・⊂)

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